24.11.11

1, sangue do meu sangue

Um dia, seremos nós despedidas da infância, recordações de álbuns, esperanças de lembranças demarcadas. Nesse dia, sentarás no sofá e mergulharás em vivências, chorarás a lágrima da saudade, a dor urgente, confrontarás o tempo que já te disse adeus e terás uma ferida - o teu coração amarrado por mágoa. Não ficarás só. Outro espaço, outro tempo, outro planeta chorará comigo a tua ausência. Um dia, serás tu na fotografia da mente, do coração como caneta permanente em um papel indestrutível. Nesse dia, sentarei em cima da secretária, abrirei a cortina e lembrarei a cor do céu quando ao teu lado estava, sorrirei pela memória do som do sorriso incontornável que tens, o inexplicável, confrontarei o tempo que levou o teu ser e terei uma ferida - o meu coração sufocado por lágrimas mudas. Não ficarei só. Outro lugar, outro século, outro universo chorará contigo a minha ausência. Um dia, será a minha música a tocar no teu rádio, a luz do teu mundo profundo, o passe-pato coberto de pó na cabe. Nesse dia, irei à procura do teu último adeus, o sítio que relembrarei o último copo de coca-cola, céu azul e palavras bonitas - o nosso coração gritando pela presença uma da outra. Não ficaremos sós. Outra galáxia, outro mar, outra vida que partilhará connosco a nossa felicidade. Um dia. E se esses dias não chegarem? Será paz no corpo, o corpo que te abraçará nesta, na outra e em qualquer vida que exista depois de nós.

3 comentários:

Andreia' disse...

Perfeito *o*

Bárbara Cunha disse...

Adorei *-*

Madalena Mourisca disse...

nem me atrevo a ler isto outravez, senão desfaço-me em lágrimas..